Gugs transforma São Luís na “Jamaica Brasileira” em novo álbum “Fruto da Terra”
Com participações de Mad Professor, Fauzi Beydoun, Célia Sampaio e Rosy Valença, artista maranhense mergulha na cultura sound system, ancestralidade e resistência periférica em disco que conecta Maranhão, Jamaica e Londres.
A força do reggae maranhense ganha novos contornos em “Fruto da Terra”, novo álbum de Gugs. Diretamente de São Luís do Maranhão — conhecida mundialmente como “Jamaica Brasileira” — o artista entrega um projeto que transforma a vivência periférica, a cultura das radiolas e a musicalidade afro-diaspórica em uma experiência sonora intensa, contemporânea e profundamente conectada às raízes locais.

Ao longo de 12 faixas, Gugs mistura reggae roots, rub-a-dub, dancehall, dub, afrobeat e hip hop sem abandonar a identidade construída nas ruas, praias, becos e clubes de reggae da capital maranhense. O disco nasce da memória coletiva de uma cidade onde o reggae ultrapassa o gênero musical e se torna linguagem popular, tradição e pertencimento.
“Quem nasce em São Luís cresce ouvindo reggae. É uma música que toca nas ruas, nos bairros, nos carros e dentro das casas. ‘Fruto da Terra’ nasce justamente dessa vivência coletiva da Jamaica Brasileira”, afirma o artista.
Mais do que um álbum, “Fruto da Terra” funciona como uma verdadeira imersão dentro da cultura reggae do Maranhão. A intro e o interlúdio contam com falas de DJ Netto Myller, figura histórica da cena maranhense, conduzindo o público como se cada faixa estivesse sendo apresentada ao vivo dentro de uma radiola tradicional da ilha.


As participações especiais ajudam a expandir ainda mais esse universo musical. Em “Segura a Pedra”, Rosy Valença e Fauzi Beydoun celebram o reggae roots de São Luís, enquanto “Não Desista”, ao lado de Célia Sampaio — conhecida como a “Dama do Reggae” — transforma espiritualidade e resistência em música. Já “Não Pega” conecta Maranhão, Jamaica e Londres em uma colaboração potente entre Mad Professor, Joe Ariwa e Casa 13, mergulhando o álbum de vez na estética dub internacional.
Faixas como “Daquele Jeito”, com participação de Klicia, incorporam elementos espirituais e batidas steppa dançantes, enquanto “Eu e Tu”, ao lado de Gill Enes, desacelera o disco em uma love song atravessada pela maresia e atmosfera única da ilha maranhense.
Reconhecido como um dos principais nomes da música maranhense contemporânea, Gugs vem construindo desde 2009 uma trajetória marcada pela fusão entre rap, reggae e sonoridades afro-indígenas, jamaicanas e amazônicas. Após ampliar seu alcance nacional com o álbum “Mudando o Final da História” (2024), que contou com participações de Zeca Baleiro, Rapadura e Mateus Fazeno Rock, o artista mergulhou em um processo criativo mais íntimo dentro do estúdio Coisa Nossa, selo e espaço cultural fundado por ele em São Luís.
Além da carreira musical, Gugs também atua diretamente no fortalecimento da cena cultural independente do Maranhão. O artista é fundador da Batalha na Praça, dos selos Coisa Nossa e Xila Rewind, além do projeto “Faça Você Mesmo”, iniciativa voltada para oficinas de produção musical em escolas públicas.
Com “Fruto da Terra”, Gugs reafirma São Luís como um dos territórios mais vivos da cultura sound system no Brasil e projeta o reggae maranhense para novas conexões globais sem abrir mão de suas raízes.“‘Fruto da Terra’ fala sobre essa conexão entre território, memória e uma linguagem que ultrapassa fronteiras”, resume o artista.