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Doja Cat transforma São Paulo em uma viagem oitentista com a turnê “Ma Vie World”

Com estética oitentista, presença provocadora e domínio vocal, a cantora norte-americana apresentou sua nova fase em único show no Brasil, no Suhai Music Hall, em São Paulo.

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Doja Cat transforma São Paulo em uma viagem oitentista com a turnê “Ma Vie World”
Foto: Hashtag Pop

A passagem de Doja Cat por São Paulo foi tudo, menos protocolar. Em seu único show no Brasil, realizado nesta quinta-feira (5), no Suhai Music Hall, a artista entregou um espetáculo que mergulha de cabeça na estética dos anos 1980, referência central de sua fase mais recente.

Doja Cat transforma São Paulo em uma viagem oitentista com a turnê “Ma Vie World”

Essa atmosfera retrô não surge por acaso. Doja vem explorando esse imaginário de forma consistente em seus trabalhos atuais, especialmente no álbum Vie (2025). No palco, a proposta ganha vida através de elementos visuais, sonoros e performáticos que evocam o espírito vibrante e nostálgico da década, desde os figurinos até a concepção geral do show.

Apesar da expectativa em torno da apresentação, a venda de ingressos ficou abaixo do esperado e nenhum setor esgotou. Ainda assim, isso passou longe de ser um problema. Doja Cat demonstrou absoluto domínio de palco e entregou uma performance segura, provocante e tecnicamente impecável, deixando claro que números não definem a força de um espetáculo ao vivo.

Com cerca de 18 minutos de atraso, o show começou ao som de “Cards”. Doja surgiu com um look ousado: sutiãs justíssimos sobrepostos, calcinha com correntes, meia-calça rendada, espartilho, luvas e plumas. A estética felina foi potencializada por uma performance carregada de sensualidade, com reboladas, poses provocantes e uma presença corporal que se manteve intensa ao longo de toda a apresentação.

Doja Cat transforma São Paulo em uma viagem oitentista com a turnê “Ma Vie World”
Doja Cat transforma São Paulo em uma viagem oitentista com a turnê “Ma Vie World”

A turnê é fortemente centrada em Vie, seu quinto álbum de estúdio, que teve desempenho comercial mais modesto em comparação aos discos anteriores. O trabalho até figurou no ranking da Billboard Hot 100, mas por um período relativamente curto. No palco, porém, qualquer estatística se torna irrelevante. Doja faz do repertório uma extensão de sua identidade artística atual.

Vocalmente, a cantora impressiona. Com extrema facilidade, transita entre flows rápidos de rap, agudos potentes e melodias pop cheias de personalidade. Sua versatilidade vocal é um dos grandes trunfos do show. Há solos ao vivo, rimas emendadas com fôlego de sobra, uso pontual de autotune e bases pré-gravadas que funcionam como apoio, tudo isso enquanto ela dança, se joga no chão e explora o corpo como parte da narrativa performática.

A banda ao vivo é outro destaque. Precisa e afiada, ela dá ainda mais peso ao funk pop de Doja, conectando referências oitentistas ao rap contemporâneo. O trio de sopros adiciona camadas interessantes às faixas e ajuda a transformar músicas de Vie em versões ainda mais pulsantes no palco.

No início da turnê “Ma Vie World”, parte dos fãs criticou a estrutura do show, apontando um suposto baixo investimento em figurinos, cenário e efeitos visuais. Doja respondeu diretamente às críticas nas redes sociais, afirmando: “Eu faço música para pessoas que gostam de música. Eu não sou uma artista da Broadway.”

E, de fato, o espetáculo foge do padrão das grandes divas pop. Não há bailarinos, trocas constantes de figurino ou cenários grandiosos. Ainda assim, a competência musical e performática sustenta o show com folga e talvez esse seja justamente o ponto.

Curiosamente, mesmo negando a estética da Broadway, há um certo ar teatral na apresentação. Doja Cat alterna personagens com naturalidade: ora rockstar caótica, ora rapper sedutora, ora popstar romântica, sempre mantendo uma energia intensa e provocadora.

No repertório, não faltaram faixas como “Get Into It (Yuh)”, “Gorgeous”, “Silly! Fun!”, “Juicy” e “AAAHH Men!”. Os momentos mais celebrados pelo público ficaram por conta dos hits “Kiss Me More”, “Say So”, “Streets” e “Woman”, que transformaram a casa em um grande coro coletivo.

O show foi encerrado com “Jealous Type”. Em seguida, Doja distribuiu flores aos fãs da grade. Sem muitos discursos ou interações longas, ela ainda assim se mostrou carismática e consciente da própria força no palco. Doja Cat sabe exatamente como construir um show envolvente e entrega isso com autenticidade.

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