DUNA transforma relações modernas em paisagens emocionais no álbum de estreia
Projeto de Everton Behenck e Guilherme Rech aposta em narrativa íntima para explorar amor, desejo, recaídas e os desafios dos vínculos na era digital
O duo DUNA apresenta seu álbum de estreia como um retrato sensível das relações afetivas contemporâneas. Formado por Everton Behenck e Guilherme Rech, músico da banda Lã e do projeto Amigo Imaginário, o trabalho transforma experiências de aproximação, afastamento e instabilidade emocional em canções que funcionam como pequenos capítulos de uma mesma história.

Desenvolvido ao longo de 2024, o disco nasce da observação das contradições que marcam os relacionamentos atuais, muitas vezes atravessados por mensagens, telas, silêncios e expectativas não correspondidas. O próprio título do projeto carrega esse significado. Assim como uma duna muda de forma conforme o vento e o movimento ao seu redor, as relações retratadas no álbum estão em constante transformação, alternando entre momentos de conexão, desgaste, desejo e fuga.
A parceria entre Everton e Guilherme também reflete esse conceito. Com um artista baseado em São Paulo e o outro em Florianópolis, todo o processo criativo aconteceu à distância, por meio de trocas virtuais que acabaram incorporando à produção a mesma mediação presente nas histórias contadas pelas músicas.
Sonoramente, DUNA aposta em uma estética lo-fi marcada pela intimidade. Com vozes próximas e arranjos delicados, o disco cria uma atmosfera que remete ao calor, ao litoral e às madrugadas, deixando espaço para que as letras conduzam a experiência. A captação e edição dos vocais ficaram por conta de Lou Schmidt, da AntFood, enquanto a mixagem e masterização foram assinadas por Fernando Ianni.


Ao longo do repertório, o álbum percorre diferentes estados emocionais de uma mesma relação. Entre bloqueios impulsivos, recaídas, tentativas de reconciliação e silêncios difíceis de interpretar, as faixas exploram a linha tênue entre o desejo de permanecer e a vontade de partir.
“Quando existe agressão física ou uma violência muito explícita, é fácil identificar uma relação tóxica. Mas existe uma zona cinza onde quase todo mundo já esteve: até onde é uma dificuldade natural da relação? Até onde é desgaste? E quando começa a ultrapassar um limite?”, reflete Everton. “Nem o disco nem o clipe querem responder isso de forma definitiva, porque cada pessoa sabe os próprios limites. Mas a discussão está no ar.”
O lançamento é acompanhado pelo videoclipe de “Sal & Sombra”, dirigido por Carol Delgado. Utilizando inteligência artificial como recurso narrativo, a produção acompanha dois porcos-espinhos que tentam se aproximar, mas acabam se ferindo ao encostar.