Referência da cultura paraense levará sua experiência de música, luz e tecnologia ao evento marcado para novembro, em São Paulo
A Aparelhagem Crocodilo foi anunciada como a primeira atração do BATEKOO Festival 2026. Referência das festas populares do Pará, o projeto desembarca em São Paulo no dia 14 de novembro, quando o evento dedicado à música e à cultura negra realiza sua nova edição na capital paulista.
A escolha coloca no centro da programação uma manifestação cultural que há décadas movimenta as pistas da Amazônia. Mais do que sistemas de som, as aparelhagens reúnem DJs, equipes técnicas, estruturas de iluminação, efeitos visuais e elementos tecnológicos para criar espetáculos de grande porte.
Com sua identidade ligada à cultura paraense, o Crocodilo fará sua segunda apresentação em São Paulo. De acordo com a organização, a passagem anterior pela cidade aconteceu durante a Virada Cultural de 2025. Agora, a aparelhagem será apresentada dentro de um festival que busca conectar diferentes territórios e sonoridades da produção musical brasileira.
Artur Santoro, sócio e curador do BATEKOO Festival, afirma que a participação do Crocodilo era um desejo antigo da equipe. Para ele, as aparelhagens estão entre as tecnologias culturais mais autênticas criadas no Brasil, embora ainda apareçam pouco nas programações dos grandes festivais, especialmente no Sudeste.
“A curadoria da BATEKOO sempre busca apresentar ao nosso público um panorama dos diferentes ritmos e musicalidades produzidos no Brasil por pessoas racializadas.”
A confirmação também reforça a proposta do festival de ampliar o espaço destinado a cenas que nem sempre chegam aos principais eventos do circuito nacional. Mauricio Sacramento, CEO, diretor criativo e curador da BATEKOO, classificou o anúncio como um gesto simbólico e político, por reconhecer a dimensão de um movimento nascido na periferia amazônica.
Segundo Sacramento, a intenção é permitir que o público conheça de perto uma manifestação que faz parte da história cultural do país. A presença do Crocodilo também abre uma ponte direta entre a cena paraense e um dos encontros mais conhecidos por celebrar a produção de artistas negros, periféricos e LGBTQIAPN+.
Fundada na década de 1980, a Aparelhagem Crocodilo construiu sua trajetória combinando inovação tecnológica e valorização da cultura local. Uma nova fase começou em 2014, impulsionada por bailes realizados no Jurunas, bairro de Belém que ocupa um lugar importante na cena das aparelhagens.
A partir dessas festas, o projeto voltou a crescer, alcançou públicos em diferentes pontos do Pará e expandiu sua atuação para outros estados da Região Norte. Atualmente, sua estrutura envolve DJs, técnicos e produtores responsáveis por apresentações que unem música, iluminação e efeitos visuais em uma experiência pensada para a pista.
Para a produtora cultural e articuladora da cena musical amazônica Ane Oliveira, a escalação aproxima a cultura negra, amazônica e periférica do Norte de um festival que carrega a representatividade como parte de sua história. Ela também destacou o potencial do encontro para apresentar o movimento das aparelhagens a novos públicos.
“É uma iniciativa que conecta territórios e abre espaço para que mais pessoas conheçam essa manifestação cultural.”
A BATEKOO surgiu em Salvador, em 2014, inicialmente como uma festa. Ao longo dos anos, transformou-se em uma plataforma cultural que articula música, comportamento, moda, comunicação e política, mantendo a pista de dança como espaço de celebração, encontro e construção coletiva.
Na edição de 2026, o festival está previsto para reunir mais de 20 atrações em dois palcos, com 12 horas de programação. Além dos shows, a proposta inclui performances, experiências e atividades formativas voltadas às diferentes expressões da cultura negra contemporânea.
Realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com apresentação do Mercado Livre, o BATEKOO Festival continuará revelando seu line-up nos próximos meses. Por enquanto, a Aparelhagem Crocodilo abre os anúncios com um espetáculo que carrega a potência sonora, visual e coletiva das festas paraenses.