Globoplay lento? Os problemas que o BBB evidenciou

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24/02/2020 17:17

Afirmar-se como concorrência de um serviço prestado por marcas já consolidadas é um grande desafio para novas e antigas empresas. Quando a Globo anunciou seu próprio serviço de streaming em 2015, a Netflix passava por uma forte expansão em território brasileiro e cada vez mais chegava a novos lares. Essa expansão se deu pela quantidade de novas Smart TVs embarcadas com apps de streaming, a ramificação de smartphones em diferentes camadas sociais e a democratização do acesso à internet promovida por governos anteriores. O cenário era propício para um novo tipo de indústria no Brasil: o de streaming. Mas, cinco anos depois, nenhum concorrente parece ter chegado à altura do pioneirismo da Netflix.

A Globo veio com uma proposta inovadora no Brasil: trazer para a internet seu acervo e alimentar todos os dias seu próprio serviço com produções originais. Isso significou ter a liberdade de poder assistir seus programas favoritos a qualquer hora, não sendo mais necessário programar-se para sentar à frente da TV. Era uma ideia que democratizava ainda mais o acesso ao entretenimento, pelo menos em tese, para trabalhadores que poderiam assistir aos conteúdos no ônibus, estudantes que poderiam ver a novela quando pudessem e muitas outras inimagináveis possibilidades em que o dia-a-dia implica ao lazer.

Essa nova proposta, entretanto, mostrou ter diversas falhas. No início do Globoplay era comum ver extensas telas de carregamento e falhas constantes no login que tornavam a experiência de assistir um produto numa constante batalha contra o serviço, além de um acervo restrito aos programas da emissora. Cinco anos depois, apesar de terem feito um trabalho excepcional na disponibilização de um catálogo com séries e filmes de outros estúdios e de outros países, os problemas técnicos ainda parecem assombrar os servidores do serviço.

Quando assistimos vídeos pela internet, os arquivos percorrem um grande caminho desde onde estão salvos até as nossas casas. Essa dinâmica de transferência gera um grande tráfego sobre a rede no qual acaba congestionando, tal qual como imaginamos uma rodovia cheia de carros, a internet. Apesar de técnicas e esforços tecnológicos de compressão para deixar os vídeos cada vez mais leves sem perder a qualidade, grandes quantidades de espectadores ainda sobrecarregam os servidores. Essa sobrecarga reflete diretamente quando estamos assistindo a um conteúdo e esbarramos com uma tela de carregamento ou “pixelização” da imagem, quando essa fica cheia de grãos, ainda que sua internet esteja funcionando perfeitamente.

É por isso que quando estamos assistindo ao pay-per-view do BBB, por exemplo, em alguns momentos temos oscilações e quedas no sinal. Quando algo na casa acontece e todo mundo corre para assistir, mais pessoas estão requisitando o vídeo “do mesmo lugar”.

Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, um terço do tráfego da internet é causado apenas pela transferência de dados da Netflix, que enfrentou o mesmo problema e produziu um novo sistema com maestria. A equipe de pesquisa da empresa desenvolveu uma solução chamada Open Connect, que leva seus conteúdos diretamente aos provedores de internet, salvando praticamente tudo que você assiste a pouquíssimos quilômetros de sua casa e liberando a internet de um tráfego pesado. Desde então, podemos assistir ao serviço quase que instantaneamente e com ótima qualidade ainda que milhares de outros dispositivos como TVs, celulares e computadores estejam fazendo o mesmo, visto que nenhum assinante precisa mais se conectar diretamente à Netflix.

Mapa da Netflix com provedores de internet parceiros para distribuir conteúdo.

O boom do BBB deixou evidente no que o Globoplay está pecando: na infraestrutura. Apesar dos esforços do grupo Globo em proporcionar o acervo mais diversificado, ainda falta poder assistir aos conteúdos de forma satisfatória. Desafio você a conseguir assistir conteúdos gravados e de baixa demanda, como as últimas temporadas de Modern Family ou até mesmo séries consagradas como Todo Mundo Odeia o Chris. O preço da assinatura, que progressivamente vem aumentando a todo ano, não está acompanhando a progressão da qualidade de distribuição.

Esperamos que a Globo esteja atenta às demandas dos usuários que constantemente reclamam nas redes sociais e canais de contato sobre as quedas e lentidão do serviço. Ter um concorrente à altura da Netflix é saudável para que nós consumidores tenhamos preços mais justos e serviços mais satisfatórios. Conte seu relato com a hashtag #MelhoraGloboplay nas redes sociais.